Ele começa como uma garça que vai alçar vôo, primeiro se concentra depois vagarosamente rodopia e ai vai aumentando seus giros.
Estamos ao cair da tarde em um bar no mercado de Arrasta, aos pés da famosa Mesquita Azul, vendo um derviche iniciar sua dança.
Os derviches são Sufi, uma seita muçulmana cuja principal pratica meditacional é uma espécie de dança em rodopio. O ritual sufista é ao mesmo tempo um ato de amor e um drama de fé, sua dança tem uma forma altamente estruturada que se inicia com movimentos leves e vai aumentando gradativamente até a pessoa atingir um estado de transe. A música que acompanha os rodopios vai de um tom sincopado até sons bastante vibrantes, criando um efeito quase hipnótico. A rotação rítmica e a cadencia continua desta dança mágica criam uma sensação que, de acordo com a fé, trazem ao dançarino um estado de felicidade, êxtase e uma espécie de vôo místico.
Em áreas próximas a uma mesquita não se pode tomar bebidas alcoólicas, então o grande barato nesse bar era fumar narguilé.
-Qual o gosto do narguilé, perguntou Mestre Derivan, que ouvia atentamente meu relato.
Não sei respondi, só tomei “apple tea” um chá de maçã e uma espécie de welcome drink nacional. Acredito que ele tenha ficado um pouco decepcionado com minha falta de curiosidade tabagista, pois ficou calado. Então para provocá-lo resolvi lançar um desafio.
-Que tal você criar um coquetel de verdade, ou seja, com álcool e a base de chá de maçã.
O mais incrível de tudo é que o homem criou!!!
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